Saúde e Segurança no Trabalho
Tema 08Investigação e Análise de Acidentes: causas, indicadores estatísticos e custos
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Depois que o dano já aconteceu: o que fazer com um acidente
Um acidente já aconteceu. Alguém se machucou, uma máquina parou, um turno inteiro ficou abalado por aquilo que viu. Neste momento, a pergunta mais importante não é quem errou, mas o que, na forma como o trabalho estava organizado, permitiu que esse erro se transformasse em dano.
Neste tema, você vai aprender a trabalhar com um acidente depois que ele ocorre: como reconstituir o que aconteceu, como distinguir o que falhou no instante do evento daquilo que, mais atrás, tornou essa falha possível, como medir a acidentalidade de uma organização ao longo do tempo por meio de indicadores estatísticos, e como enxergar o custo real de um acidente para além da conta médica. É um tema de método: cada um desses pontos depende de um jeito de olhar que se aprende e se repete, não de intuição.
O que você vai aprender
Você vai aplicar um método de investigação que separa causas imediatas de causas básicas, calcular e interpretar a taxa de frequência e a taxa de gravidade de acidentes, e distinguir os custos diretos dos custos indiretos que um acidente impõe à organização.
Da causa imediata à causa básica: o que a investigação busca
Investigar um acidente é reconstituir, de forma sistemática, a cadeia de fatos e decisões que levou a um dano, com um objetivo específico: entender por que aquele evento foi possível, para reduzir a chance de que se repita. Não é sinônimo de apurar responsabilidade individual, nem um procedimento disciplinar disfarçado de técnica. Uma investigação que termina apontando um culpado e se cala sobre o resto do sistema de trabalho resolveu o problema errado: encontrou quem estava mais perto do dano no momento em que ele aconteceu, não o motivo pelo qual as condições para o dano existiam.
Causas imediatas
Causa imediata é o ato inseguro ou a condição insegura presente no instante em que o acidente ocorre, e que precede diretamente o evento. Ato inseguro é uma ação ou omissão de quem executa a tarefa, como operar um equipamento sem a proteção instalada, ignorar um procedimento estabelecido ou usar uma ferramenta para função diferente daquela para a qual foi projetada. Condição insegura é uma característica do ambiente, do equipamento ou do processo, como uma proteção retirada, um piso escorregadio não sinalizado ou uma iluminação insuficiente sobre uma tarefa de precisão. As duas costumam aparecer juntas: a condição insegura cria a oportunidade, o ato inseguro a explora, e o dano acontece no cruzamento das duas.
Causas básicas
Causa básica é o fator, pessoal ou relacionado à tarefa e à gestão, que explica por que a causa imediata existia. Fator pessoal envolve capacidade física ou mental incompatível com a exigência da tarefa, ou treinamento insuficiente para aquela atividade específica. Fator da tarefa e da gestão envolve o projeto do posto de trabalho, padrões de trabalho mal definidos ou mal comunicados, manutenção deficiente de máquinas e ferramentas, ritmo de produção incompatível com o tempo necessário para trabalhar em segurança, e supervisão que não corrige o que já vinha sendo tolerado. Encontrar a causa básica exige perguntar, para cada causa imediata identificada, por que essa pessoa fez o que fez ou por que essa condição estava presente, e repetir a pergunta até que a resposta deixe de ser sobre um indivíduo isolado e passe a ser sobre a organização do trabalho.
Investigação não é inspeção.
A inspeção de segurança atua antes do evento, para encontrar risco antes que ele produza dano; a investigação atua depois, para entender por que um dano específico aconteceu. O tema 9 desta disciplina trata da inspeção.
Causas imediatas
Causa imediata é o ato inseguro ou a condição insegura presente no instante em que o acidente ocorre, e que precede diretamente o evento.
Ato inseguro
Ato inseguro é uma ação ou omissão de quem executa a tarefa, como operar um equipamento sem a proteção instalada, ignorar um procedimento estabelecido ou usar uma ferramenta para função diferente daquela para a qual foi projetada.
Condição insegura
Condição insegura é uma característica do ambiente, do equipamento ou do processo, como uma proteção retirada, um piso escorregadio não sinalizado ou uma iluminação insuficiente sobre uma tarefa de precisão.
As duas costumam aparecer juntas
As duas costumam aparecer juntas: a condição insegura cria a oportunidade, o ato inseguro a explora, e o dano acontece no cruzamento das duas.
Parar na causa imediata não é investigar
Concluir que houve "falha humana" e encerrar ali a investigação deixa intactas as condições que tornaram esse comportamento possível, e garante que o próximo trabalhador enfrente o mesmo risco.
Causas básicas
Causa básica é o fator, pessoal ou relacionado à tarefa e à gestão, que explica por que a causa imediata existia.
Fator pessoal
Fator pessoal envolve capacidade física ou mental incompatível com a exigência da tarefa, ou treinamento insuficiente para aquela atividade específica.
Fator da tarefa e da gestão
Fator da tarefa e da gestão envolve o projeto do posto de trabalho, padrões de trabalho mal definidos ou mal comunicados, manutenção deficiente de máquinas e ferramentas, ritmo de produção incompatível com o tempo necessário para trabalhar em segurança, e supervisão que não corrige o que já vinha sendo tolerado.
Repetir a pergunta até que a resposta deixe de ser sobre um indivíduo isolado
Encontrar a causa básica exige perguntar, para cada causa imediata identificada, por que essa pessoa fez o que fez ou por que essa condição estava presente, e repetir a pergunta até que a resposta deixe de ser sobre um indivíduo isolado e passe a ser sobre a organização do trabalho.
Descrição da figura
Dois blocos comparados, e a pergunta que leva de um ao outro. Causas imediatas, em cima: causa imediata é o ato inseguro ou a condição insegura presente no instante em que o acidente ocorre, e que precede diretamente o evento. Ato inseguro é uma ação ou omissão de quem executa a tarefa, como operar um equipamento sem a proteção instalada, ignorar um procedimento estabelecido ou usar uma ferramenta para função diferente daquela para a qual foi projetada. Condição insegura é uma característica do ambiente, do equipamento ou do processo, como uma proteção retirada, um piso escorregadio não sinalizado ou uma iluminação insuficiente sobre uma tarefa de precisão. E as duas costumam aparecer juntas: a condição insegura cria a oportunidade, o ato inseguro a explora, e o dano acontece no cruzamento das duas. Entre os dois blocos, a frase que impede a leitura errada: parar na causa imediata não é investigar, porque concluir que houve falha humana e encerrar ali a investigação deixa intactas as condições que tornaram esse comportamento possível, e garante que o próximo trabalhador enfrente o mesmo risco. Causas básicas, embaixo: causa básica é o fator, pessoal ou relacionado à tarefa e à gestão, que explica por que a causa imediata existia. Fator pessoal envolve capacidade física ou mental incompatível com a exigência da tarefa, ou treinamento insuficiente para aquela atividade específica. Fator da tarefa e da gestão envolve o projeto do posto de trabalho, padrões de trabalho mal definidos ou mal comunicados, manutenção deficiente de máquinas e ferramentas, ritmo de produção incompatível com o tempo necessário para trabalhar em segurança, e supervisão que não corrige o que já vinha sendo tolerado. Fechando a figura, a régua do tema: encontrar a causa básica exige perguntar, para cada causa imediata identificada, por que essa pessoa fez o que fez ou por que essa condição estava presente, e repetir a pergunta até que a resposta deixe de ser sobre um indivíduo isolado e passe a ser sobre a organização do trabalho.
O lugar da investigação ao lado da comunicação obrigatória
A investigação de um acidente não substitui, nem depende de, a comunicação obrigatória à Previdência Social: o art. 22 da Lei n. 8.213/1991 impõe à empresa o dever de emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho, com prazo e procedimento tratados no tema 7 desta disciplina. As duas coisas acontecem lado a lado, sem uma substituir a outra: uma cumpre uma exigência legal de registro perante a Previdência Social, a outra produz o conhecimento técnico que evita a repetição do acidente dentro da organização.
Como conduzir a investigação, passo a passo
A investigação eficaz segue uma sequência: cada etapa depende do que a etapa anterior produziu, e pular uma delas compromete o resultado das que vêm depois.
Preservar o local e atender quem se machucou. Antes de qualquer análise, a prioridade é o socorro ao acidentado e a proteção contra um segundo dano; só depois disso o local deve ser preservado o quanto for possível, para que a investigação encontre as coisas como elas estavam.
Coletar evidências e depoimentos o quanto antes. Fotos do local, medições, o estado dos equipamentos e o relato de quem presenciou o evento, incluindo o próprio acidentado quando possível, perdem precisão a cada hora que passa: memória se reconstrói, e evidências físicas se alteram com a rotina do trabalho.
Reconstituir a sequência dos fatos em ordem cronológica. É preciso montar, passo a passo, o que aconteceu antes, durante e depois do evento, sem pular etapas nem preencher lacunas com suposição.
Identificar as causas imediatas. A partir da sequência reconstituída, aponta-se o ato inseguro e a condição insegura presentes no instante do dano.
Identificar as causas básicas. Para cada causa imediata, pergunta-se por que ela existia, até chegar aos fatores pessoais e aos fatores da tarefa e da gestão que a tornaram possível.
Definir e acompanhar ações corretivas voltadas às causas básicas. A ação mais eficaz ataca a origem, não o sintoma; tem responsável definido, prazo e verificação posterior de que foi de fato implementada e funcionou.
A investigação que olha para quem estava mais perto
O técnico segura a prancheta baixa e aponta o colega que presenciou o evento; atrás dos dois, a proteção da esteira aberta e fora de posição, e o cone que marca o ponto onde o acidente aconteceu.
Uma investigação que termina apontando um culpado e se cala sobre o resto do sistema de trabalho resolveu o problema errado: encontrou quem estava mais perto do dano no momento em que ele aconteceu, não o motivo pelo qual as condições para o dano existiam.
A investigação que olha para a condição que já estava lá
Ninguém aponta ninguém: os dois se voltam para o equipamento, o colega mostra a proteção fora de posição, e o técnico anota.
Condição insegura é uma característica do ambiente, do equipamento ou do processo, como uma proteção retirada, um piso escorregadio não sinalizado ou uma iluminação insuficiente sobre uma tarefa de precisão.
A pergunta começa na condição, e não para nela
Encontrar a causa básica exige perguntar, para cada causa imediata identificada, por que essa pessoa fez o que fez ou por que essa condição estava presente, e repetir a pergunta até que a resposta deixe de ser sobre um indivíduo isolado e passe a ser sobre a organização do trabalho.
Descrição da figura
Dois quadros da mesma linha de embalagem, com as mesmas duas pessoas, o mesmo equipamento e o mesmo cenário: um técnico de segurança de capacete branco e camisa azul, e o colega que presenciou o evento, de capacete branco e blusa azul-marinho, os dois de óculos de proteção e botina. Atrás deles, em linha clara, a esteira, as caixas empilhadas e o painel de comando; no chão, um cone que marca o ponto da linha onde o acidente aconteceu. Em cima da esteira, nos dois quadros, a proteção de máquina fora de posição, deixando a esteira descoberta: no primeiro, um painel de barras verticais escancarado nas dobradiças como uma porta aberta; no segundo, o painel erguido e solto sobre a esteira, sem cobri-la. Nenhum dos dois quadros tem palavra escrita. No primeiro, a investigação que olha para quem estava mais perto: o técnico segura a prancheta baixa ao lado do corpo e estende o outro braço apontando o dedo para o colega, que está de braços caídos e cabeça um pouco baixa. No segundo, a investigação que olha para a condição que já estava lá: ninguém aponta ninguém, os dois se voltam para o equipamento, o colega estende o braço na direção da proteção fora de posição e o técnico ergue a prancheta, agora com linhas anotadas, e escreve com a caneta na outra mão. O que muda entre os quadros é para onde os dois olham e o que cada um faz com as mãos: o cone, a esteira, as caixas, o painel de comando e o cenário são os mesmos nos dois, e a proteção está fora de posição nos dois. Fechando a figura: a pergunta começa na condição, e não para nela — encontrar a causa básica exige perguntar, para cada causa imediata identificada, por que essa pessoa fez o que fez ou por que essa condição estava presente, e repetir a pergunta até que a resposta deixe de ser sobre um indivíduo isolado e passe a ser sobre a organização do trabalho.
As taxas de frequência e de gravidade
Além de investigar cada acidente individualmente, uma organização precisa acompanhar a acidentalidade ao longo do tempo, para saber se a prevenção está funcionando e para comparar períodos, turnos ou unidades entre si. No Brasil, esse acompanhamento se apoia em dois indicadores fixados pela NBR 14280, a norma técnica brasileira de cadastro e classificação de acidente do trabalho: a taxa de frequência e a taxa de gravidade, ambas calculadas a partir da exposição ao risco medida em horas-homem. É esse par de números que você vai encontrar num relatório de acidentalidade, ou no quadro de indicadores afixado na entrada de uma fábrica.
Taxa de frequência
Taxa de frequência é o indicador que relaciona a quantidade de acidentes com lesão ocorridos à exposição ao risco de quem trabalha, padronizada para uma base comum de um milhão de horas. A fórmula é: TF igual ao número de acidentes com lesão multiplicado por um milhão, dividido pelas horas-homem de exposição ao risco no período, ou seja, TF = (número de acidentes com lesão × 1.000.000) ÷ HHT. Expressar o resultado por milhão de horas, e não pelo número bruto de acidentes, é o que permite comparar organizações de tamanhos muito diferentes: um mesmo número de acidentes significa coisas bem distintas numa fábrica de duzentos trabalhadores e numa fábrica de dois mil.
Como se calcula o HHT
HHT, horas-homem de exposição ao risco, corresponde à soma das horas efetivamente trabalhadas por todas as pessoas expostas ao risco considerado, no período em análise. Multiplica-se o número de trabalhadores pela jornada e pelo tempo efetivamente trabalhado no período, descontando afastamentos e faltas relevantes. Considere uma empresa com cento e cinquenta trabalhadores cumprindo quarenta e quatro horas semanais ao longo de um ano: o HHT anual aproximado é o produto dessas três grandezas, aqui sem os descontos, para simplificar, e é esse valor que entra como denominador tanto da taxa de frequência quanto da taxa de gravidade.
Taxa de gravidade
Taxa de gravidade é o indicador que relaciona, à mesma base de exposição, não a quantidade de acidentes, mas o tempo perdido por causa deles: TG = (dias perdidos + dias debitados) × 1.000.000 ÷ HHT. Dias perdidos são os dias de afastamento efetivo do trabalhador acidentado. Dias debitados são um valor fixo que a mesma NBR 14280 atribui aos casos mais graves, como morte ou incapacidade permanente, porque o tempo de afastamento real não captura sozinho a extensão desses casos: um trabalhador que morre no acidente não tem "dias perdidos" no sentido literal, mas o evento é o mais grave que existe, e o indicador de gravidade precisa refletir isso.
Como interpretar as duas taxas juntas
As duas taxas respondem perguntas diferentes, e por isso precisam ser lidas juntas, nunca isoladamente. A taxa de frequência informa a chance de o acidente acontecer; a taxa de gravidade informa o tamanho do estrago quando ele acontece. Uma organização pode ter taxa de frequência baixa e ainda assim conviver com um risco muito sério, se o pequeno número de acidentes que ocorre for de alta gravidade: um único evento fatal pode elevar a taxa de gravidade de um período inteiro, mesmo com poucos acidentes registrados naquele mesmo período. Por isso, reduzir a taxa de frequência sem acompanhar a taxa de gravidade pode esconder um problema real: menos acidentes, mas mais graves quando acontecem.
Taxa de frequência
Taxa de frequência é o indicador que relaciona a quantidade de acidentes com lesão ocorridos à exposição ao risco de quem trabalha, padronizada para uma base comum de um milhão de horas.
A fórmula é: TF igual ao número de acidentes com lesão multiplicado por um milhão, dividido pelas horas-homem de exposição ao risco no período, ou seja, TF = (número de acidentes com lesão × 1.000.000) ÷ HHT.
Por que expressar o resultado por milhão de horas
Expressar o resultado por milhão de horas, e não pelo número bruto de acidentes, é o que permite comparar organizações de tamanhos muito diferentes: um mesmo número de acidentes significa coisas bem distintas numa fábrica de duzentos trabalhadores e numa fábrica de dois mil.
Fixadas pela NBR 14280, e apoiadas na mesma base: as horas-homem
No Brasil, esse acompanhamento se apoia em dois indicadores fixados pela NBR 14280, a norma técnica brasileira de cadastro e classificação de acidente do trabalho: a taxa de frequência e a taxa de gravidade, ambas calculadas a partir da exposição ao risco medida em horas-homem.
HHT, horas-homem de exposição ao risco, corresponde à soma das horas efetivamente trabalhadas por todas as pessoas expostas ao risco considerado, no período em análise.
Como se calcula o HHT
Multiplica-se o número de trabalhadores pela jornada e pelo tempo efetivamente trabalhado no período, descontando afastamentos e faltas relevantes.
Taxa de gravidade
Taxa de gravidade é o indicador que relaciona, à mesma base de exposição, não a quantidade de acidentes, mas o tempo perdido por causa deles: TG = (dias perdidos + dias debitados) × 1.000.000 ÷ HHT.
Dias perdidos
Dias perdidos são os dias de afastamento efetivo do trabalhador acidentado.
Dias debitados
Dias debitados são um valor fixo que a mesma NBR 14280 atribui aos casos mais graves, como morte ou incapacidade permanente, porque o tempo de afastamento real não captura sozinho a extensão desses casos: um trabalhador que morre no acidente não tem "dias perdidos" no sentido literal, mas o evento é o mais grave que existe, e o indicador de gravidade precisa refletir isso.
As duas precisam ser lidas juntas, nunca isoladamente
As duas taxas respondem perguntas diferentes, e por isso precisam ser lidas juntas, nunca isoladamente.
A taxa de frequência informa a chance de o acidente acontecer; a taxa de gravidade informa o tamanho do estrago quando ele acontece.
Por isso, reduzir a taxa de frequência sem acompanhar a taxa de gravidade pode esconder um problema real: menos acidentes, mas mais graves quando acontecem.
Descrição da figura
Dois blocos comparados, e a base que os dois dividem. Taxa de frequência, em cima: é o indicador que relaciona a quantidade de acidentes com lesão ocorridos à exposição ao risco de quem trabalha, padronizada para uma base comum de um milhão de horas, e a fórmula é TF igual ao número de acidentes com lesão multiplicado por um milhão, dividido pelas horas-homem de exposição ao risco no período. E por que expressar o resultado por milhão de horas, e não pelo número bruto de acidentes: é o que permite comparar organizações de tamanhos muito diferentes, porque um mesmo número de acidentes significa coisas bem distintas numa fábrica de duzentos trabalhadores e numa fábrica de dois mil. Entre os dois blocos, o que os liga: as duas são fixadas pela NBR 14280 e apoiadas na mesma base, as horas-homem. No Brasil, esse acompanhamento se apoia em dois indicadores fixados pela NBR 14280, a norma técnica brasileira de cadastro e classificação de acidente do trabalho — a taxa de frequência e a taxa de gravidade, ambas calculadas a partir da exposição ao risco medida em horas-homem. E HHT, horas-homem de exposição ao risco, corresponde à soma das horas efetivamente trabalhadas por todas as pessoas expostas ao risco considerado no período em análise. E como se calcula o HHT: multiplica-se o número de trabalhadores pela jornada e pelo tempo efetivamente trabalhado no período, descontando afastamentos e faltas relevantes. Taxa de gravidade, embaixo: é o indicador que relaciona, à mesma base de exposição, não a quantidade de acidentes, mas o tempo perdido por causa deles: TG igual à soma dos dias perdidos com os dias debitados, multiplicada por um milhão e dividida pelo HHT. Dias perdidos são os dias de afastamento efetivo do trabalhador acidentado. Dias debitados são um valor fixo que a mesma NBR 14280 atribui aos casos mais graves, como morte ou incapacidade permanente, porque o tempo de afastamento real não captura sozinho a extensão desses casos: um trabalhador que morre no acidente não tem dias perdidos no sentido literal, mas o evento é o mais grave que existe, e o indicador de gravidade precisa refletir isso. Fechando a figura, a régua do tema: as duas precisam ser lidas juntas, nunca isoladamente, porque a taxa de frequência informa a chance de o acidente acontecer e a taxa de gravidade informa o tamanho do estrago quando ele acontece, e reduzir a taxa de frequência sem acompanhar a taxa de gravidade pode esconder um problema real, menos acidentes, mas mais graves quando acontecem.
Custos diretos e indiretos para a organização
Um acidente custa à organização mais do que a conta médica do trabalhador ferido, e separar esse custo em duas categorias ajuda a enxergar o tamanho real do problema: custo direto e custo indireto.
Custo direto
Custo direto é o gasto imediato e identificável, associado diretamente ao acidente: assistência médica e hospitalar, indenizações, aumento no valor do seguro contra acidentes, reposição do equipamento ou do material danificado, e eventuais multas administrativas. É a parte da conta que aparece isolada, com nota fiscal ou lançamento contábil específico, e por isso é também a mais fácil de apontar quando alguém pergunta "quanto custou esse acidente".
Custo indireto
Custo indireto é o gasto que decorre do acidente sem aparecer isolado numa conta própria: a produção perdida enquanto a linha ficou parada, o tempo de outros trabalhadores dedicado a socorrer o acidentado e a colaborar com a investigação, a contratação e o treinamento de quem substitui, temporária ou definitivamente, o trabalhador afastado, o efeito sobre o ritmo e o ânimo da equipe que presenciou o evento, e o dano à imagem da organização diante de clientes, fornecedores e do próprio mercado de trabalho. É aqui que está a parte mais desconcertante da conta: o custo indireto costuma superar o custo direto, e ainda assim é o que menos aparece no orçamento formal da prevenção, exatamente por estar diluído em áreas diferentes da organização, em vez de concentrado numa única conta.
Custo direto
Custo direto é o gasto imediato e identificável, associado diretamente ao acidente.
O atendimento ao acidentado
Assistência médica e hospitalar.
A indenização e o seguro
Indenizações, aumento no valor do seguro contra acidentes.
O que o acidente danificou
Reposição do equipamento ou do material danificado.
A multa administrativa
Eventuais multas administrativas.
É a parte da conta que aparece isolada
É a parte da conta que aparece isolada, com nota fiscal ou lançamento contábil específico, e por isso é também a mais fácil de apontar quando alguém pergunta "quanto custou esse acidente".
Custo indireto
Custo indireto é o gasto que decorre do acidente sem aparecer isolado numa conta própria.
A produção que não saiu
A produção perdida enquanto a linha ficou parada.
O tempo de quem não se acidentou
O tempo de outros trabalhadores dedicado a socorrer o acidentado e a colaborar com a investigação.
A substituição de quem se afastou
A contratação e o treinamento de quem substitui, temporária ou definitivamente, o trabalhador afastado.
O ritmo e o ânimo da equipe
O efeito sobre o ritmo e o ânimo da equipe que presenciou o evento.
A imagem da organização
O dano à imagem da organização diante de clientes, fornecedores e do próprio mercado de trabalho.
O custo indireto costuma superar o custo direto
É aqui que está a parte mais desconcertante da conta: o custo indireto costuma superar o custo direto, e ainda assim é o que menos aparece no orçamento formal da prevenção, exatamente por estar diluído em áreas diferentes da organização, em vez de concentrado numa única conta.
Descrição da figura
Dois blocos comparados, com a mesma grade de cards em cada um, e a frase que inverte a expectativa entre eles. Custo direto, em cima: é o gasto imediato e identificável, associado diretamente ao acidente, e o bloco o abre em quatro. O atendimento ao acidentado: assistência médica e hospitalar. A indenização e o seguro: indenizações, aumento no valor do seguro contra acidentes. O que o acidente danificou: reposição do equipamento ou do material danificado. E a multa administrativa: eventuais multas administrativas. Entre os dois blocos, o que caracteriza essa primeira parte: é a parte da conta que aparece isolada, com nota fiscal ou lançamento contábil específico, e por isso é também a mais fácil de apontar quando alguém pergunta quanto custou esse acidente. Custo indireto, embaixo: é o gasto que decorre do acidente sem aparecer isolado numa conta própria, e o bloco o abre em cinco. A produção que não saiu: a produção perdida enquanto a linha ficou parada. O tempo de quem não se acidentou: o tempo de outros trabalhadores dedicado a socorrer o acidentado e a colaborar com a investigação. A substituição de quem se afastou: a contratação e o treinamento de quem substitui, temporária ou definitivamente, o trabalhador afastado. O efeito sobre o ritmo e o ânimo da equipe que presenciou o evento. E o dano à imagem da organização diante de clientes, fornecedores e do próprio mercado de trabalho. Fechando a figura, a parte mais desconcertante da conta: o custo indireto costuma superar o custo direto, e ainda assim é o que menos aparece no orçamento formal da prevenção, exatamente por estar diluído em áreas diferentes da organização, em vez de concentrado numa única conta.
Equívocos comuns sobre investigação, indicadores e custos
O que eu aprendi
Investigar um acidente é buscar tanto as causas imediatas, os atos e as condições inseguras que precederam diretamente o evento, quanto as causas básicas, os fatores pessoais e os fatores da tarefa e da gestão que tornaram essas causas imediatas possíveis; parar na causa imediata, ou em "falha humana", deixa intacto o que de fato precisa mudar.
O método de investigação segue uma sequência: preservar o local e atender o acidentado, coletar evidências e depoimentos, reconstituir a sequência dos fatos, identificar causas imediatas e básicas, e definir ações corretivas voltadas à origem do problema.
A taxa de frequência mede a chance de o acidente acontecer, e a taxa de gravidade mede o tamanho do estrago quando ele acontece; as duas usam a mesma base de exposição ao risco, as horas-homem, e precisam ser interpretadas juntas.
O custo de um acidente para a organização soma uma parte direta, fácil de identificar, e uma parte indireta, geralmente maior e mais difícil de rastrear, porque está diluída em produção perdida, tempo de outras pessoas e efeitos sobre a equipe.
Antes de seguir
Se algum desses quatro pontos não estiver claro, vale voltar ao trecho correspondente pelo Sumário antes de encerrar o tema.
Referências
As obras e os documentos legais em que este tema se apoia. Você chegou ao fim do Tema 08. Pode voltar a qualquer trecho pelo Sumário, no topo.
- BRASIL. Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: planalto.gov.br.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14280: cadastro de acidente do trabalho: procedimento e classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2001.
- SALIBA, Tuffi Messias. Curso básico de segurança e higiene ocupacional. 9. ed. São Paulo: LTr, 2024.
- BARBOSA FILHO, Antonio Nunes. Segurança do trabalho e gestão ambiental. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2019.